Dicas para Mamães

15 Livros infantis sobre representatividade negra

No dia 20 de novembro é comemorado o Dia da Consciência Negra, um marco nacional na luta contra o racismo e a desigualdade racial. E para que a realidade possa ser mudada, é de extrema importância explicar, ensinar e debater sobre o tema, principalmente com as crianças. Afinal são elas o futuro da nossa sociedade.

Mas entendemos que a conversa com as crianças devem ser guiadas no tom que as fases e idades pedem e sim, é possível apresentar e ensinar temas importantes de um jeito leve, sadio e sobre tudo didático.

A data nos lembra a luta dos povos e da cultura africana na construção social e cultural brasileira, bem como a necessidade de abordar temas como o preconceito e a diversidade étnica-racial em diferentes esferas da sociedade.

Pensando nisso, listamos alguns livros infantis, com ilustrações e histórias que são ótimos para falar diretamente com as crianças. Segue a lista completa com alguns títulos:

01 – Amoras
Autor:
Emicida
Editora: Companhia Das Letrinhas

Uma história cheia de simplicidade e poesia, que mostra a importância de nos reconhecermos nos pequenos detalhes do mundo. O livro mostra a importância de nos reconhecermos no mundo e nos orgulharmos de quem somos; desde criança e para sempre. Traz o enaltecimento da beleza negra por meio de alusões com a natureza e o reconhecimento de si.

02 – Bucala: A pequena princesa do quilombo do cabula
Autor:
Davi Nunes
Editora: Malê

O livro conta a história de uma linda princesa quilombola que tem o cabelo crespo em formato de coroa de rainha. Ela possui poderes que protegem o quilombo. Bucala voa no pássaro-preto, cavalga na onça suçuarana, mergulha no reino da rainha das águas doces e aprende toda a sabedoria dos reinos africanos com o sábio ancião Bem-preto-de-barbicha-bem-branca.

03 – Meu crespo é de rainha
Autora:
Bell Hooks
Editora: Boitatá

Publicado em 1999 como poema rimado e ilustrado, a obra apresenta às meninas brasileiras diferentes penteados e cortes de cabelo de forma positiva, alegre e elogiosa. Um livro para ser lido em voz alta, indicado para crianças a partir de três anos de idade – e também mães, irmãs, tias e avós – se orgulharem de quem são e de seu cabelo “macio como algodão” e “gostoso de brincar”. O livro enaltece a beleza dos fenótipos negros, exaltando penteados e texturas afro, além de servir de referência à garota que se vê ali representada e admirada.

04 – Heroínas Negras
Autora:
Jarid Araes 
Editora: Seguinte

Dandara, Carolina Maria de Jesus, Eva Maria do Bonsucesso, Luisa Mahin, Agontimé, Tia Ciata e tantas outras mulheres negras que foram verdadeiras heroínas brasileiras, mas pouco se fala delas, seja na escola ou nos meios de comunicação. A escritora Jarid Araes resgata memória dessas personagens, através de cordel, suas lutas pela liberdade, direitos, espaços na política, nas artes, levantando suas vozes contra a injustiça e a opressão. Este livro reúne quinze dessas histórias impressionantes, ilustradas por Gabriela Pires. Agora, cabe a você conhecê-las, espalhá-las, celebrá-las. Para que as próximas gerações possam crescer com seu próprio panteão de heroínas negras brasileiras.

05 – O mundo no black power de Tayó
Autora:
Kiusam de Oliveira 
Editora: Peiropolis

Tayó é uma menina negra que tem orgulho do cabelo crespo com penteado black power, enfeitando-o das mais diversas formas. A autora apresenta uma personagem cheia de autoestima, capaz de enfrentar as agressões dos colegas de classe, que dizem que seu cabelo é “ruim”. Mas como pode ser ruim um cabelo “fofo, lindo e cheiroso”? “Vocês estão com dor de cotovelo porque não podem carregar o mundo nos cabelos”, responde a garota para os colegas. Com essa narrativa, a autora transforma o enorme cabelo crespo de Tayó numa metáfora para a riqueza cultural de um povo e para a riqueza da imaginação de uma menina sadia.

06 – As tranças de Bintou
Autora:
Sylviane A. Diouf 
Editora: Cosac & Naify

Com mais de 70 mil exemplares vendidos, adquirido pelo governo brasileiro para equipar bibliotecas públicas e adotado em dezenas de escolas de todo o país. A autora Sylviane A. Diouf, estudiosa da cultura e da história da África, nos apresenta Bintou, uma menina negra que não se contenta com seus birotes no cabelo e sonha usar tranças como sua irmã mais velha. A história encanta pela maneira cuidadosa e doce com que trata, a partir de um contexto cultural específico, um momento universal: a passagem da infância para a adolescência. Um livro que nos revela a beleza de cada fase da vida e nos permite repensar o Brasil por meio dos costumes africanos. 

07 – Amor de cabelo 
Autor:
Matthew A. Cherry
Editora: Galera

O livro inspirado no filme vencedor do Oscar de melhor curta metragem de animação. O cabelo de Zuri é mágico. Ele pode ser trançado e enrolado para combinar perfeitamente com uma tiara de princesa ou uma capa de super-heroína. E Zuri sabe que seu cabelo é lindo! Mas um dia super especial pede um penteado mais especial ainda. A mãe de Zuri está voltando para casa depois de um tratamento médico. E, embora ainda tenha muito o que aprender quando se trata de cabelo, o pai da menina é o responsável por ajudá-la a montar o penteado perfeito para receber a mãe. Comovente e empoderador, a obra enaltece o carinho ao próprio cabelo, o amor entre pais e filhas e a felicidade que preenche aqueles que podem se expressar livremente.

08 – Os nove pentes d’África
Autor:
Cidinha da Silva
Editora: Mazza Edições

Os pentes herdados pelos nove netos de Francisco Ayrá são a pedra de toque para abordar a pulsão de vida presente nas experiências das personagens e dos rituais cotidianos da narrativa. Tradição e contemporaneidade tecem um bordado de poesia e surpresa na tela de uma família negra brasileira.

09 – O menino Nito
Autora:
Sonia Rosa
Editora: Pallas

Menino não chora? É essa pergunta que o livro se propõe a refletir ao longo da obra. Com vários títulos que falam sobre as tradições populares de matrizes africanas no Brasil, como o Jongo, Maracatu e outras influências africanas nos esportes e culinária incorporadas no país, a contadora de história e professora Sonia Rosa traz o debate da formação da masculinidade em crianças como Nito. O livro revela um percurso de desconstrução da masculinidade hoje identificada como tóxica, nociva e violenta esperada para homens na infância e que precisa ser repensada.

10 – Betina
Autora:
Nilma Lino Gomes
Editora: Mazza Edições

A lição do penteado, Betina aprendeu da amorosa avó e a avó aprendeu com a mãe dela que aprendeu com outra mãe que tinha aprendido com uma tia. Só que Betina foi além e espalhou a lição para filhas e filhos, mães e avós que não eram os dela. Ela abriu um salão de beleza diferente e ficou conhecida em vários lugares do país. Mas Nilma Lino Gomes tem muitos detalhes deliciosos dessa linda história.

11 – Neta de Anita 
Autor:
Anderson Oliveira
Editora:
Mazza Edições

O livro traz o debate sobre a visibilidade das pessoas com deficiência visual. A Neta de Anita é a história de Tainá, uma menina negra e cega, que encontra na avó o amparo e descobertas. A narrativa envolve o leitor na construção da compreensão de mundo da menina. Tainá ouve cochichos em referência ao seu aspecto físico, o que a faz desabafar com a avó, com quem divide o teto. Após um percurso de autodescoberta, ela descobre também que a essência das coisas está justamente no fato de serem diferentes. A importância das griôs (ou griots) – contadores ou contadoras de história na África – fica ainda mais evidente.

12 – Anansi: o velho sábio
Autor:
Kaleki E Jean-Claude Götting
Editora: Companhia das letrinhasEm uma espécie de conto dos contos, Kaleki traz a importância de refletir e saber ouvir os outros, levando em conta, antes de tudo, a opinião das mulheres, sua sabedoria e seu espírito prático. Anansi: o velho sábio revela parte da mitologia axânti, onde a história da aranha Anansi simboliza as crenças e os costumes daquela sociedade, como acontece em todo o continente africano, onde o conhecimento e as tradições se transmitiam oralmente, por meio dos griots, os grandes contadores de histórias.

13 – Sulwe
Autor:
Lupita Nyong’o
Editora: Rocco Pequenos Leitores

A história infantil reflete sobre as consequências do racismo no psicológico de uma criança negra. A autora revela o cotidiano solitário da personagem Sulwe, que não tem amigos e se sente sozinha, diferente de todas as pessoas de sua família e das crianças da escola. Seu nome significa estrela e assim como o astro luminoso, o desejo de clarear sua pele vai ser determinante em vários momentos. Sem sucesso, Sulwe decide compartilhar a dor com a sua mãe, atitude que a auxilia a entender que o seu brilho e beleza estavam nela mesma, não fora. E que a noite e o dia podem (e devem) existir juntos. 

14 – O Pequeno Príncipe Preto
Autor:
Rodrigo França
Editora:
Nova Fronteira

Em um minúsculo planeta, vive o Pequeno Príncipe Preto. Além dele, existe apenas uma árvore Baobá, sua única companheira. Quando chegam as ventanias, o menino viaja por diferentes planetas, espalhando o amor e a empatia. O texto é originalmente uma peça infantil que já rodou o país inteiro. Agora, Rodrigo França traz essa delicada história no formato de conto, presenteando o jovem leitor com uma narrativa que fala da importância de valorizarmos quem somos e de onde viemos – além de nos mostrar a força de termos laços de carinho e afeto. Afinal, como diz o Pequeno Príncipe Preto, juntos e juntas todos ganhamos.

15 – Com qual penteado eu vou? 
Autora:
Kiusam de Oliveira
Editora: Melhoramentos

Uma obra fundamental para pautar a diversidade e a beleza que existe em cada criança, independente de com qual penteado ela vai. Este livro é uma dessas pinturas estonteantes. Cenas plásticas que nos prendem a atenção! A festa de 100 anos do Seu Benedito vai animar toda a família, afinal, agora ele é um cen-te-ná-rio. Para homenagear seu bisavô nessa data tão importante, suas bisnetas e seus bisnetos irão escolher penteados lindos para participarem da comemoração. E cada uma e cada um irá presentear seu bisa com a virtude mais poderosa que tem.

A lista é grande não é mesmo? Mas o melhor é que ainda existem inúmeras formas de apresentar e ensinar sobre algo tão importante e de diversas formas possíveis.

Vamos enraizar e estruturar a igualdade e o respeito a todos!

Fonte: Casa Vogue e Amazon